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Review Shadowrun quarta edição

julho 21, 2009

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O ano é 2070, e o mundo está de cabeça para baixo.

Junto com o ano de 2012 veio o despertar para a magia, quando as pessoas começaram a perceber o fluxo de mana que corre pelo mundo e bebês com características de elfos e anões começaram a nascer ao redor do mundo. Como se bebês estranhos fofinhos nascendo por ai e pessoas capazes de defletir disparos e torrar qualquer coisa só com a força do pensamento (mesmo que viessem a desmaiar depois) não fosse o suficiente, ainda tiveram pessoas que se transformaram em orcs e trolls da noite para o dia com a chegada do ano do cometa, e vírus que foram capazes de dizimar uma fatia imensa de pessoas da face da terra em poucos anos.


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A idéia de nação que você tem hoje em dia é completamente diferente da que existe, não que elas não existam, elas estão lá, tanto que os próprios Estados Unidos foram fatiados em uma dezena delas. O que existe hoje em dia são enormes conglomerados de empresas multinacionais cuidando de tarefas que até pouco tempo atrás eram obrigações do estado, como saúde e segurança, e empregando boa parte da população mundial em suas fileiras. Entre suas atividades estão tudo que você pode imaginar, alimentos (praticamente tudo que você vai comer vai ser alguma coisa feita a base de soja), armamentos, manipulação de mídia, equipamentos de alta tecnologia, programas de computação, enfim, tudo que é feito no mundo tem o dedo dessas empresas.

O plano astral representa um mundo paralelo feito a base de mana, mas isso não quer dizer que a (meta)humanidade não tenha criado o seu. Substituindo o que nós hoje chamamos de internet, a Matrix está ai para colocar a humanidade em outro nível de evolução tecnológica, permitindo coisas que somente é possível em sonhos hoje em dia, como a completa imersão neural dentro da rede de computadores. Ao invés de ficar na frente de uma tela e digitando textos, com os equipamentos certos você é capaz de entrar “de cabeça” dentro da Matrix, então ao invés de você ver o seu personagem daquele MMO que você tanto gosta pelo monitor, você passa a ser o personagem! Isso se aplica a praticamente qualquer outra forma de entretimento, como filmes, conversar pela internet ou até mesmo pornografia (você realmente achou que isso estaria de fora?), tudo quase tão convincente, ou melhor, quanto a realidade, tão convincente que se você não se cuidar é capaz de ter alguma complicação física.

shadowrun0101Mas a evolução tecnológica não ficou restrita somente a invenção do cyberspaço, agora praticamente qualquer coisa está online em uma rede sem fio, então é possível hackear câmeras, armas inteligentes, carros ou até mesmo geladeiras só estando perto delas. Além disso teve a criação dos cyberwares e biowares, que são nada menos do que aperfeiçoamentos corporais feitos tanto com itens de origens mecânicas quanto biológicas, usados tanto para usos mais singelos como substituir um membro perdido quanto se transformar em uma máquina de batalha. Junto com a evolução tecnológica também vieram os seus filhos, os tecnomantes. Pessoas que estavam imersas em realidade virtual exatamente na hora de seu segundo crash e que são capazes de manipular a matrix simplesmente com o poder de suas vontades.

Além de todos esses detalhes, ainda tem muita coisa estranha ocorrendo pelo mundo. Geopolíticas instáveis, surtos de vírus capazes de transformar uma pessoa em um morto-vivo, drogas virtuais, inteligências artificiais megalomaníacas, dragões se transformando em CEO’s de empresas, desastres naturais causados pela volta da magia ao mundo, problemas raciais causados por supremacistas humanos, espíritos que vem do outro lado do plano astral, grandes transações criminais causadas por grupos como a Yakuza ou a mafia russa, eco terroristas querendo punir a humanidade, pessoas atrás de relíquias das outras eras da magia… a quantidade de problemas é absurdamente alta, e também é a quantidade de trabalho para os shadowruners.

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missions_z-zoneShadowrun é um RPG já de velha guarda e que possui dezenas de jogos ou novelas e se encontra na sua quarta edição, sendo que a segunda foi publicada aqui no Brasil pela Ediouro (não, não foi a devir). O traço mais marcante desse jogo fica a cargo do cenário riquíssimo, que parece que foi criado depois de assistir Blade Runner e O Senhor dos Anéis na mesma noite, e sim, ficou bom. O sistema funciona de forma bem simples, quando você tem que fazer um teste, você soma a perícia e o atributo relacionado a ele e joga esse número em d6, o único dado usado no sistema, sendo que 5 ou 6 são considerados acertos. Mesmo que as vezes você tenha que jogar mais de uma dúzia de dados de uma única vez, a velocidade do jogo fica em pouco ou nada comprometida e a sessão flui com facilidade.

O sistema de criação e aprimoramento de personagem é complexo não no quesito de dificuldade, mas sim no aspecto de diversificação de personagens, já que ele é muito amplo e permite uma enorme gama de possibilidades. Vocês usa pontos para comprar atributos, perícias e equipamentos, além de contatos, raça, implantes, magias e o que mais for preciso. Apesar dele ser abstrato como todo bom sistema de pontos deve ser, você ainda pode se guiar por esteriótipos para criar o seu personagem, como o mago, o samurai urbano (pessoas que se enchem de implantes e se tornam verdadeiras máquinas de matar), o especialista em invasão e por ai vai, com várias fichas já feitas no próprio livro para servir de base ou serem usadas na hora.

Além de um sistema de regras de combate “normais”, ainda existem regras para combates no plano astral e na matrix, onde magos e hackers podem se digladiar entre si sem (quase) nenhuma interferência do mundo real. Ele possui um conjunto de regras específicas para combates astrais, combates na matrix, magias no mundo real e para hackers, tudo feito de forma que combinem entre si e que seja possível executar ao mesmo tempo todos esses embates.

luisroyo_evolution_shadowrun_38Com uma ambientação original e com um sistema de fácil aprendizado e aquisição (leia-se: não tem que decorar três livros e nem se jogar de cabeça dentro do cenário para fazer uma campanha decente), Shadowrun é uma boa pedida para qualquer um que queira colocar novos ares na sua mesa de jogo ou até mesmo experimentar algo totalmente diferente. Caso a ambientação não seja do seu gosto, ainda é possível usar o sistema para narrar em qualquer cenário cyberpunk que você preferir graças a suas regras de implantes e de cybercombate.

Você pode encontrar um guia de regras rápidas traduzido para o português aqui.

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One comment

  1. Saudações, grande amigo!

    Shadowrun é simplesmente um dos RPG’s de que mais gostei de jogar! Quando eu jogava (por volta de 1994-1997) tivemos uma campanha completa jogada em Shadowrun 3ª Edição.

    Tinha parado com o RPG, e agora, buscando pela internet, encontro isso!! Vou comprar o Sadowrun 4ª edição, realmente fiquei empolgado com esta resenha!

    Um grande abraço, Eduardo – um shadowmaníaco das antigas!



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