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Análise: Rio Game Show

junho 23, 2009

Depois de um longo jejum de eventos de games na cidade maravilhosa, finalmente o Rio Game Show veio para quebrar essa rotina. Realizado no dia 21 de junho em Niterói, o evento contou com mais de três mil pessoas em um domingo ensolarado (haja sol, quem ficou na fila durante uma hora de preto sabe do que estamos falando) no clube Canto do Rio, de frente pra UFF e perto do Plaza Shopping. E lá fomos eu e meu amigo Leonardo Marinho em mais uma saga épica.

O evento começou pecando da mesma forma que o seu antecessor Top Game Show ,que aconteceu no Riocentro: foi lá na casa do caralho. Não tenho nada contra quem mora em Niterói e adjacências, mas o maior fluxo de pessoas veio do próprio Rio de Janeiro e o evento se tornaria muito mais atrativo se ele se encontrasse no centro da cidade, talvez até mesmo para os habitantes dos dois lados da grande poça.

O evento começou com uma hora de atraso, o que fez com que incontáveis nerds branquelos conseguissem se bronzear na fila com a vista das refrescantes piscinas do clube onde ele foi sediado e onde nosso dragão de montaria se refrescava depois de uma árdua viagem. Após uma longa espera embaixo de um sol pouco misericordioso com os gamers subdesenvolvidos e com a bela vista de uma cospaga de Lara Croft (apesar do Altair ter atraído mais atenção do público) a fila começou a andar e logo estávamos dentro do ginásio do clube onde se realizaria o esperado evento de jogos, descobrindo no processo que o atraso se deu devido ao fato de alguém tentar de forma obviamente infrutífera registrar todos os participantes da entrada.

O local estava bem servido de máquinas e Tvs de LCD quando entramos, mas logo percebemos que mesmo todas as máquinas e monitores não seriam suficientes para abrigar todas as pessoas do local, o que desencadeou de filas de pequenas a médias em arcades e caos e destruição no Rock Band e no campeonato de Strees Fighter 4.

Logo depois partimo para fazer uma olhada atenta no lugar, o que rendeu aproximadamente 20 minutos de nosso tempo, e olha que nós nos esforçamos. Existiam standers de alguns vendedores frustrados ao perceber que ninguém pagaria trezentas pratas pelo Enchanted Arms, e até mesmo alguém que fazia arcades “artesanais” com milhares de jogos na memória e com direito até a tela de LCD. A idéia foi ótima e um dia eu ainda terei dinheiro para colocar aquilo na minha sala, mas no momento eu não disponho de três mil reais para tal empreitada.

Para quem gostava de nostalgiar, existiam pessoas dispostas a trocar/vender/comprar videogames antigos no local, com exibição deles e inclusive alguns estavam podendo serem jogados, mas sem poder mudar o jogo que estavam rodando.

Existia também um certo número de Xbox funcionando no local, mas ao invés de colocarem jogos carro chefe do console como Halo, encontramos coisas como geometric wars. Não que seja um jogo ruim, é extremamente divertido até, só que fazer isso com um console que vai pra exibição é sub-utilização de tecnologia, ou seja, sacanagem com quem tava lá dentro.

O que possuía de Nintendo Wii no local era muito pouco, pra falar a verdade só tinha o desafio Wii Fit (que as pessoas estavam subindo em cima da plataforma de tênis e ninguém falava nada) e em uma das lojas tinha um Wii em demonstração, mas nesse caso não conta já que não fazia parte do evento em si.

O único Playstation 3 do local estava sendo utilizado pra jogar Rock Band, o que fez com que centenas de fan boys de jogos como Metal Gear ficassem decepcionados e frustrados.

Mesmo eu não tendo ficado até o final para ver o concurso de cosplay, foi possível reparar a pouca atenção que eles receberam durante o evento, já que no banheiro feminino nem sequer tinha uma bancada ou espelho para ajudar as cosplayers se prepararem (não pergunte como nós soubemos disso). Uma nota curiosa foi a pouca quantidade de cosplayers de jogos em um evento voltado para esse tipo de coisa, já que eles não são poucos.

A parte de alimentação também deixou a desejar. Com somente um standart que vendia comida e nenhum bebedouro no local, também não era possível sair para comprar comida no lado de fora e depois retornar ao evento. Outro fator curioso é que não existia nenhuma lixeira a vista.

Dos criadores de jogos tupiniquins compareceram e mandaram bem os produtores de Capoeiras Legends, que disponibilizava computadores para quem quisesse testar o jogo, e o grupo Magus Ludens, com o seu premiado Hive e com o trailer do seu novo The Guest. Uma nota interessante é que teve uma hora que uma das máquinas do Grupo Magus parou de funcionar depois de um problema com a energia. Ficou faltando a equipe do jogo Taikodom dar uma palhinha e não teve absolutamente NADA falando do Zeebo, se a TecToy quer tanto fazer propaganda dele não faz sentido não ir divulga-lo em um evento de jogos, ainda mais no Rio que é a cidade piloto do programa.

Houveram campeonatos de Street Fighter 4 (aliás, a única chance que você tinha de jogar era participando do campeonato) e de Winning Eleven que aparentemente ocorreram sem problema e possuíram grande quantidade de participantes.

Dentro do evento foi possível notar uma grande quantidade de pais e mães que foram levar o seu filho ao local. Até agora me pergunto se eles eram gamers veteranos que estavam passando a tocha para as gerações mais novas ou se eram os fedelhos que levaram os seus pais até lá. Também me pergunto que se o caso for a segunda opção, qual não foi a reação dos pais ao ver um monte de gente estranha, algumas até fantasiadas, andando por ai.

A maior falta de respeito dos produtores do evento não foi nem ao público, e sim aos convidados a dar palestras. Eles tiveram a idéia brilhante de colocar a mesa redonda em cima de uma das arquibancadas e bem do lado do Rock Band (isso foi maldade). Desnecessário dizer que foi completamente impossível entender o que eles estavam falando, tendo que tentar adivinhar o que eles estavam querendo dizer com a ajuda do projetor.

Não houve conexão Wi-fi no local, e nenhum incentivo aos portadores dos portáteis (isso soou engraçado) mais modernos jogarem entre si. Também prometeram distribuição de jogos por celular mas a minha rede blue tooth só detectou celulares de outros zé ruelas esperançosos que nem eu.

Além de uma quantidade maciça de blogueiros no local, houveram participação de emissoras de televisão como a Rede Record e a ESPN, que filmaram o evento inteiro e entrevistaram alguns cosplayers. O que poderia ser uma boa plataforma para divulgar esse tipo de eventos para o resto do mundo pode ter sido um tiro que saiu pela culatra.

Apesar de ter sentado o malho no evento uma coisa eu tenho que admitir: os organizadores foram muito corajosos em fazer esse tipo de coisa. Esse foi somente o primeiro evento e eu pessoalmente não espero que tenha sido o último, ainda espero que eles aprendam com o erro desse e melhorem cada vez mais pra um dia colocarmos a E3 no chinelo.

Balanços gerais:

Gastos com comida dentro do evento: R$6,00 (dois guaranás)

Gastos com comida fora do evento: R$6,00 (três salgados e dois refrescos)

Quantidade de cosplayers fora da staff: meia duzia

Quantidade de cosplayers fora da staff provavelmente putos: meia duzia

Quantidade de dinheiro gasto nas passagens: R$ 23,60

Dinheiro gasto inutilmente pelo Leonardo na entrada do evento: R$: 25,00

Camisas da VGL: Pelo menos 8

Quantidade de blogueiros: Incontáveis

Barracas vendendo coisas relacionadas a videogame: pelo menos 6

Barracas vendendo coisas não relacionadas a videogame: 2

Quantidade de TVs de plasma: pelo menos 22

Quantidade de Xbox 360 subutilizados: 2

Quantidade de minutos torrando no sol esperando pra entrar: 60

Brasil:3

Itália:0 (sim, nós assistimos lá de dentro)

Preço do chaveirinho medíocre: R$:15,00

Ah, não se esqueçam de ver também o review do Leo no Deu Tilt.

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11 comentários

  1. Brasil:3
    Itália:0

    Eu ri alto aqui em casa! kkkkkkkkkkkkkkk

    Vamos ver se os produtores leem suas criticas para poder organizar o evento com mais afinco e atenção. Aqui no nordeste tem eventos parecidos, com (creio) menos gente do que esse, mas com mais organização.

    Abraços!


  2. “O evento começou pecando da mesma forma que o seu antecessor Top Game Show ,que aconteceu no Riocentro: foi lá na casa do caralho. Não tenho nada contra quem mora em Niterói e adjacências”

    E imagina se tivesse… ¬¬

    “Dinheiro gasto inutilmente pelo Leonardo na entrada do evento: R$: 25,00”

    Puta merda, não me lembra disso, cara…

    Ha ha ha ha… Apesar disso tudo o evento foi bom. A barulheira me rendeu uma puta dor de cabeça, mas foi um domingo bem aproveitado.

    E que venha o próximo! Com certeza estaremos lá. Mas tomara que dessa vez não precisemos meter o malho na cobertura.

    E vamos que vamos!


  3. Ps.: Essas fotos não me são estranhas, viu?


  4. […] Não deixe de conferir a cobertura do evento escrita pelo Lucas, do Nerd Frenzy. Eu recomendo. O humor do cara é […]


  5. Fotos estranhas? Algumas fui eu quem bateu! Que que eu podia fazer se a máquina era sua? XD

    O último evento que teve desse porte aqui foi em 2006, Fenrirx. Sem falar que com toda a propaganda nós estavamos esperando algo bem melhor.


  6. “A propaganda é a alma do negócio”

    Nesse domingo vivi essa frase. u.u


  7. Muito obrigado pela atenção! Nos vemos no próximo evento 😀


  8. cara, como disse em outros lugares: o problema do som e o lugar superlotado realmente atrapalharam, mas como o autor do post disse, o rio é carante (oowww) desse tipo de eventos e os caras terem feito isso sem apoio qase nenhum foi ate bem corajoso. espero q eles aprendam com os erros e sim, achei bem legal!até pq conheci muita gente q só falava pela net! valeu por isso tb! bjosss

    @Leo Marinho

    Obrigada pelo biscoito! rss


  9. uhauhauhauhauhuhauhauhauhauhuhauh
    Foda o review… Eu ia nessa orra… Se tu falasse que ia também eu tinha até me motivado a ir…
    Diria até que tá prosperando em escrever…
    A do Brasil 3 Itália 0 foi foda…
    Tu podia dar uma investida no site… Tá maneiro mas tá muito simples…


  10. Fechou com chave de ouro. 🙂 Meu post sobre o evento: http://dabusca.blogspot.com/2009/06/rio-game-show-o-evento-de-games-do-rio.html


  11. […] Não deixe de conferir a cobertura do evento escrita pelo Lucas, do Nerd Frenzy. Eu recomendo. O humor do cara é […]



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